27 de outubro de 2018

80% da bancada federal da Paraíba não declara voto em Bolsonaro no 2º turno

Seu concorrente, Fernando Haddad, tem o dobro de apoiadores.

 

Angélica Nunes

Foto: Divulgação/Facebook

Apesar de figurar em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto do Ibope, o candidato à presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem o apoio declarado de apenas 20% da bancada federal paraibana eleita para a partir do próximo ano no Congresso Nacional. Dos 15 parlamentares da bancada federal da Paraíba – sendo 12 deputados federais e três senadores-, apenas três declararam voto em Bolsonaro.

O candidato petista, Fernando Haddad (PT), seu concorrente para a disputa no segundo turno, realizado neste domingo (28), tem o dobro de apoiadores. Em contrapartida, outros cinco parlamentares preferiram não declarar o voto e optaram em se manter neutro no confronto Bolsonaro x Haddad. Apenas o deputado reeleito Hugo Motta (PRB) não declarou o voto.

Fechados com Haddad

Fernando Haddad, mesmo pontuando em segundo lugar em todas as pesquisas, tem mais aliados na bancada federal da Paraíba. Parte do apoio é motivado pela intervenção do governador Ricardo Coutinho na campanha petista. Sem considerar o voto fechado do deputado eleito Frei Anastácio (PT), Ricardo agregou os eleitos Gervásio Maia (PSB) na Câmara Federal e de Veneziano (PSB) no Senado. Além deles, completam a lista dos deputados que são aliados do socialista e votam em Haddad os reeleitos Damião Feliciano (PDT), Wellington Roberto (PR), Wilson Santiago (PTB).

Bolsonaristas

Fechado com Bolsonaro mesmo tem o seu correligionário, Julian Lemos (PSL), eleito para um primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Além dele, também declarou voto no presidenciável o deputado Efraim Filho (DEM), embora na esfera estadual esteja alinhado com o governador Ricardo Coutinho (PSB), que milita em prol de Fernando Haddad (PT) na Paraíba. A deputada Edna Henrique (PSDB) também deve votar em Bolsonaro, seguindo o posicionamento do esposo, o deputado João Henrique.

Em primeiro mandato na Câmara, Edna é a única da bancada tucana a ter voto declarado a Bolsonaro. O presidente estadual do PSDB, deputado federal eleito Ruy Carneiro, e o deputado reeleito Pedro Cunha Lima, tem preferido manter a neutralidade, embora o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) tenha declarado apoio a Bolsonaro desde o primeiro turno. “Nossa tese é que o partido apoie o Brasil sem estar fazendo parte do governo com ministérios”, resumiu Ruy Carneiro.

Progressistas neutros

Os Progressistas, que elegeram a deputada Daniella Ribeiro (PP) ao Senado Federal e reelegeu o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), também resolveram manter a neutralidade no segundo turno.

No último dia 9 de outubro, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, emitiu nota declarando que o partido ficará neutro no segundo turno das eleições. “No contexto das eleições presidenciais, o eleitor claramente enviou um recado ao país: quer tomar sua decisão sem que qualquer outro aspecto, que não os candidatos, sejam levados em consideração como critério de escolha. Isso significa que o eleitor quer o silêncio e o palco vazio de qualquer ruído ou informação que interfira na sua reflexão sobre qual candidato escolher”, justificou.

Na nota, Ciro Nogueira afirmou ter convicção de que essa é a melhor contribuição que pode oferecer ao debate, em que os cidadãos e cidadãs demonstraram querer se ater a um olhar aos projetos e às personas dos candidatos, deixando todas as demais variáveis em segundo plano. “O Progressistas estará disposto a colaborar com o futuro governo em todas as agendas coerentes e resolutivas que sejam capazes de enfrentar e encaminhar a solução para os grandes problemas que o País precisa solucionar, para o bem de seu povo e em nome do futuro de nossa Nação, completa a nota.

Movimento

Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o cientista político Joviniano Neto disse à Agência Brasil que a diversidade pesou para a indefinição das agremiações partidárias entre um ou outro polo. “O Brasil é uma Federação e estado é uma realidade diferente. Existem estados onde a diferença local é mais nítida, como MDB e PSDB, e em outros onde a diferença é menos nítida e há uma unidade nacional maior, como PSOL”, avalia Joviniano.

A onda bolsonarista, que tem favorecido candidatos a governador, tem ajudado a definir as alianças de acordo com o contexto em cada estado. Esse é o motivo apontado por ele para a neutralidade anunciada por partidos como o PSDB e o PP.

 

Confira como votam os parlamentares da Paraíba no Congresso:

 

Bancada Federal

Bolsonaro

Haddad

Neutro

Gervásio Maia (PSB)

x

Aguinaldo Ribeiro (PP)

x

Wellington Roberto (PR)

x

Damião Feliciano (PDT)

x

Hugo Motta (PRB)

Frei Anastácio (PT)

x

Wilson Santiago (PTB)

x

Pedro Cunha Lima (PSDB)

x

Efraim Filho (DEM)

x

Julian Lemos (PSL)

x

Edna Henrique (PSDB)

x

Ruy Carneiro (PSDB)

x

Daniella Ribeiro (PP)

x

Veneziano (PSB)

x

Maranhão (MDB)

x