28 de outubro de 2018

Hora da decisão: Bolsonaro tenta manter desempenho e Haddad busca virada no 2º turno

Candidato do PSL teve 46,03% dos votos válidos no 1º turno. Petista ficou com 29,28%.

Da Redação

Eleição com Bolsonaro e Haddad é a primeira sem a polarização PT e PSDB (Foto: Montagem/ Divulgação)

Quem vai governar o Brasil nos próximos quatro anos? Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad? A resposta virá neste domingo (28), quando os dois candidatos disputam o segundo turno das Eleições 2018. Bolsonaro tentar manter o desempenho do 1º turno para assegurar a vitória. Já Haddad ainda aposta em uma virada.

No 1º turno, Jair Bolsonaro teve 46,03% dos votos válidos (49.276.990 dos totais) e Fernando Haddad conseguiu 29,28%, 31.342.005 dos totais. O resultado quebrou a histórica polarização entre PT e PSDB na disputa presidencial. Nas últimas seis eleições, os primeiros colocados foram das duas siglas, sendo que o PSDB ganhou duas vezes (1994 e 1998) e o PT, quatro (2002, 2006, 2010 e 2014).

Bolsonaro venceu em 16 estados e no Distrito Federal, no 1º turno. Já Fernando Haddad, se sagrou vitorioso em 9 estados, incluindo a Paraíba. Regionalmente, o candidato do PSL venceu no Sudeste, no Centro-Oeste, no Sul e no Norte, com exceção do Pará, onde o adversário ganhou. O petista venceu em toda a região Nordeste, menos no Ceará, único estado do país que fugiu da polarização e deu vitória ao candidato cearense Ciro Gomes (PDT).

Desempenho na Paraíba

Na Paraíba, Fernando Haddad conseguiu 45,5% dos votos válidos, o que representou o 6º melhor desempenho dele, em comparação com os números dos outros estados. Bolsonaro ficou com apenas 31,3%.

Apesar da vitória de Haddad na Paraíba, Bolsonaro venceu nas duas principais cidades do estado, João Pessoa e Campina Grande, com 49,87% e 50,61% dos votos válidos, respectivamente. O petista alcançou 24,30% e 20,63% nestas duas cidades. O candidato do PSL saiu vitorioso em mais três municípios, Cabedelo, Bayeux e São Bento; Ciro Gomes venceu em Santa Luzia e Haddad ganhou nas outras 217.

Durante a campanha, Bolsonaro não esteve na Paraíba em nenhuma ocasião. Fernando Haddad fez duas visitas: uma vez ainda como candidato a vice de Lula, em agosto, e voltou ao estado na sexta-feira (26).

Bolsonaro disputa a presidência da República pela primeira vez (Foto: Divulgação)

Jair Bolsonaro

Jair Messias Bolsonaro tem 63 anos, nasceu na cidade de Glicério, interior de São Paulo, e é capitão reformado do Exército. Deputado federal no sétimo mandato, ele disputa a Presidência da República pela primeira vez.

Em quase 30 anos na Câmara, Bolsonaro adotou uma postura radical e, considerada por muitos, até agressiva. Ele criticou gays e mulheres, defendeu a ditadura militar brasileira, assassinato de criminosos, e outros pontos. Na votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Carlos Brilhante Ustra, que atuou como torturador no Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) ,durante o regime militar .

Bolsonaro focou a campanha no antipetismo e apresentou como principais propostas as melhorias no combate à corrupção e na segurança pública.

Haddad entrou na campanha em substituição ao ex-presidente Lula (Foto: Divulgação)

Fernando Haddad

Ex-ministro da Educação nos governos de Lula e Dilma, Fernando Haddad tem 55 anos e nasceu na cidade de São Paulo, da qual também foi prefeito até 2016. O petista tem formação em direito, com pós-graduação em Economia e Filosofia, e é professor de ciência política na Universidade de São Paulo (USP). Ele disputa a presidência pela primeia vez, e assumiu a candidatura após a Justiça Eleitoral barrar o ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba após ser condenado na Operação Lava Jato.

Haddad apareceu nacionalmente ao assumir o Ministério da Educação (MEC), em 2005. Na gestão dele,o órgão criou, por exemplo, Fundo de Garantia do Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) sem fiador, e o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tem as notas usadas como forma de ingresso nas universidades. O Enem também gerou algumas polêmicas para o petista, como o roubo das provas em 2009, e divulgação antecipada de questões, em 2011.

Em 2012, Haddad deixou o MEC e se candidatou à prefeitura de São Paulo e foi eleito, no segundo turno, derrotando o tucano José Serra. Quatro mais tarde tentou a reeleição e sofreu um duro revés. Perdeu para João Dória (PSDB), um estreante na política, ainda no primeiro turno.

O foco da campanha do candidato petista foi a educação, melhorias na economia e o resgate da política social do governo de Lula.